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Mais um grande desafio para a Liga Árabe

Como era de se esperar, o mundo árabe repudiou prontamente os planos absurdos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump de deslocar palestinos para outros países e reconstruir o território devastado pela guerra, a fim de criar uma “Riviera” na Faixa de Gaza. Para a Liga Árabe, é impensável os Estados Unidos “assumirem o controle” da região.

No próximo 27 de fevereiro, diversos Estados árabes deverão apresentar outras propostas para a reconstrução de Gaza, durante uma reunião emergencial da Liga Árabe no Cairo. A expectativa é que as conversações rendam um plano preliminar abrangendo uma administração tecnocrática para Gaza, forças de segurança treinadas por países árabes e nenhum deslocamento populacional. Uma vez que a maior parte do território foi destruída pelos bombardeios israelenses, os palestinos seriam provisoriamente assentados em áreas agrícolas e outras regiões de Gaza até o final da reconstrução.

Por ora, há um cessar-fogo, mas os países árabes também podem formar uma unidade mais sólida contra os planos de Trump, pressionar pela solução de dois Estados e adotar medidas emergenciais em prol da Jordânia e do Egito, caso Washington pare de ajudá-los, opinou Marwan Muasher, vice-presidente de estudos da Carnegie Endowment for International Peace.

No entanto, é impossível prever os resultados dessa queda de braço entre a resistência do mundo árabe e mais essa demonstração de prepotência estadunidense.

Para começo de conversa, o Egito e a Jordânia, cogitados por Trump como destinos para milhões de palestinos, terão de deixar claro que isso vai contra seus interesses nacionais, diz Ahmed Aboudouh, especialista em relações internacionais do programa do Oriente Médio e Norte da África do think thank britânico Chatham House.

Segundo Aboudouh, “os países árabes não querem um confronto direto com Trump, especialmente no início de seu mandato. Os egípcios agora estão tentando formar uma frente árabe unida e falar com membros do governo dos Estados Unidos — que ainda estejam no Departamento de Estado, no Pentágono e no Congresso —, para tentar pressionar o presidente”.

Mas, na visão de Trump, o Egito e a Jordânia terão de ceder às suas pressões, já que recebem bilhões em ajuda externa e apoio militar dos Estados Unidos.

Outro ingrediente explosivo nessa difícil equação é que as falas de Trump, com total aquiescência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre uma “Riviera de Gaza” ecoaram como música para a ultradireita israelense levando-a a apostar na viabilidade de uma “limpeza étnica” nos territórios palestinos.

Protestos pipocam nos EUA e no Brasil

Nos Estados Unidos, mais de 350 rabinos, artistas e pensadores assinaram uma moção de repúdio aos planos de Trump para Gaza. Isso serviu de exemplo para o coletivo Judias e Judeus pela Democracia SP lançar o manifesto “Limpeza Étnica não!”, que já foi assinado por mais de 1.200 judeus brasileiros, incluindo historiadores, antropólogos, artistas e rabinos.

O trecho final do manifesto afirma: “É imperativo que a comunidade internacional atue de maneira contundente para impedir essa violação grotesca dos direitos humanos. A história nos ensina que a inação diante do abuso pode levar a consequências devastadoras. Devemos nos unir em defesa da dignidade humana, promovendo diálogos e ações que garantam a proteção dos vulneráveis em Gaza e em todo o mundo”.

Por dentro da Liga Árabe

Fundada no Cairo em 1945, a organização internacional Liga Árabe, ou Liga dos Estados Árabes, é composta por 22 territórios árabes no Oriente Médio, inclusive a Palestina, e no Norte da África. Sete países participaram da fundação da Liga, a reboque do movimento do pan-arabismo: Egito, Iraque, Líbano, Síria, Arábia Saudita, Iêmen e Transjordânia (atual Jordânia).

Com sede na capital do Egito, seus objetivos são intensificar os laços sociais e culturais, assim como a cooperação econômica e política, entre seus membros, e coordenar políticas a serem implementadas em cada um dos países-membros. Outra finalidade da Liga é a defesa dos territórios árabes assegurando sua soberania, embora volta e meia alguns membros entrem em conflito devido a temas políticos, econômicos e religiosos. Há também desavenças por questões de hegemonia regional e internacional, como a observada entre a Arábia Saudita e o Irã.

O Conselho, o Secretariado-Geral, o Conselho de Defesa Conjunta e o Conselho Econômico e Social compõem a estrutura da organização.

Atualmente a Liga está empenhada em uma potencial resolução ou mediação da guerra entre o grupo Hamas e Israel, que afeta diretamente os civis árabes palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Desde a década de 1950, o Brasil mantém relações diplomáticas e econômicas com os países da Liga Árabe, e a balança comercial entre ambas as partes é superavitária. A cooperação mútua envolve emergências sanitárias, como no caso da pandemia de covid-19, e questões culturais e econômicas.

Fontes: GUITARRARA, Paloma. “Liga Árabe”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/liga-arabe.htm; SCHAER, Cathrin. Deutsche Welle, 17 de fevereiro de 2025; BERGAMO, Monica. Folha de S. Paulo, 17 de fevereiro de 2025.
 
A Liga Árabe é composta por 22 territórios no Oriente Médio e no Norte da África
Thaïs Costa é jornalista, revisora de obras literárias e teses acadêmicas, redatora publicitária e tradutora trilíngue. Membro de Honra da Academia Líbano-Brasileira de Letras, Artes e Ciências. É colaboradora do Blog.

2 Comments

  1. Obrigado, Thaís. Artigo que me atualizou no assunto. Valeu!

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  2. Parabéns pelo artigo!

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