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O Templo de Baalbek: um breve estudo sobre a maravilha do Oriente

Este pequeno texto não pretende abranger todas as questões históricas, arquitetônicas e culturais sobre o Templo de Baalbek. Pelo contrário, trata-se de uma apresentação simples, que busca mostrar ao leitor os conceitos principais e instigá-lo a conhecer mais sobre esse grandioso templo localizado no Líbano.

Critérios e relatório

Sendo um dos mais importantes patrimônios culturais da UNESCO desde 1984, o Templo de Baalbek tira o fôlego de qualquer pessoa que aprecia história, arte, arquitetura ou simplesmente busca conhecer algo novo. Este local não é apenas um templo, mas a prova viva da influência cultural de diversos povos ao longo da história.

Para que um determinado monumento possa fazer parte da lista de patrimônios mundiais da UNESCO, ele deve atender a pelo menos um dos dez critérios estipulados pela organização para seleção.

Segundo a UNESCO, o templo de Baalbek atende a dois critérios: 

Critério (i): O sítio arqueológico de Baalbek representa um complexo religioso de excepcional valor artístico, e seu majestoso conjunto monumental, com trabalhos em pedra ricamente detalhados, é uma criação artística única. Ele reflete a fusão das crenças fenícias com os deuses do panteão greco-romano por meio de uma impressionante metamorfose estilística.

Critério (iv): O complexo monumental de Baalbek é um exemplo notável de um santuário romano e uma das mais impressionantes testemunhas do período romano em seu apogeu, exibindo plenamente o poder e a riqueza do Império Romano. Ele abriga alguns dos maiores templos romanos já construídos, que estão entre os mais bem preservados. Esses templos refletem uma extraordinária fusão da arquitetura romana com as tradições locais de planejamento e disposição.

Esses critérios podem ser consultados diretamente no site da UNESCO e são explicados nas Operational Guidelines for the Implementation of the World Heritage Convention.

Segundo o relatório de inserção de Baalbek, consta o seguinte:

O Comitê, ao inscrever esta propriedade, expressou o desejo de que a área protegida incluísse toda a cidade dentro das muralhas árabes, bem como o bairro sudoeste extra-muros, entre Bastan-al-Khan, as obras romanas e a mesquita mameluca de Ras-al-Ain. Durante a discussão, o representante do Líbano assegurou ao Comitê que as autoridades do país seguiriam essas recomendações (Convention Concerning The Protection of The World Cultural and Natural Heritage, p. 11, 1984).

Baalbek passou por diversas transformações. Não se sabe com exatidão a data em que começaram as primeiras construções do templo de Baal, o deus do sol, tornando-se, então, um centro religioso.

Michel Alouf, em seu livro The History of Baalbek, esclarece a origem do nome:

A palavra “Baalbek” é uma alteração do nome sírio “Baal-Bah” ou deriva do fenício “Baal-Beka”. A primeira sílaba, “Baal”, corresponde a “Sol”. A terminação síria “Bah” significa “Cidade”. Quanto à terminação fenícia “Beka”, pode significar “país” se for equivalente à palavra árabe “Bokaat” (بقعة), que significa “país” ou “região”. No entanto, em inscrições fenícias recentemente descobertas, a palavra “Beka” tem o significado de “Cidade”. Em egípcio, a palavra “Baki” também corresponde a “Cidade”. Assim, podemos concluir com segurança que “Baalbek” significa “Cidade de Baal” (Alouf, p. 27, 1905).

Além disso, muito se fala sobre a tradução literal de Baalbek como Heliópolis. Ainda segundo Alouf (1905), esse nome foi dado pelos selêucidas e adotado posteriormente pelos romanos. No entanto, os habitantes da região sempre preservaram o nome Baalbek, que obteve seu florescimento após o domínio árabe.

Alouf (1905) também menciona que a palavra Baalbek pode ser encontrada na poesia de Amrou’-el-Kays, que viveu no século VI, antes da conquista da Síria pelos árabes. No entanto, muitos historiadores discordam sobre a autenticidade dessa citação no poema, considerando que pode se tratar de uma interpolação. O debate sobre essa questão ainda permanece.

Transformações do Templo

Após a conquista da região pelos gregos e, posteriormente, pelo Império Romano, o Templo de Baalbek passou por diversas modificações. Por volta do século I a.C., Baalbek tornou-se um dos maiores templos do Império Romano, abrigando três grandes complexos: Júpiter, Baco e Vênus.

A natureza do culto à tríade de Júpiter, Vênus e Mercúrio (embora o Templo de Mercúrio tenha desaparecido completamente, exceto por uma escadaria que foi restaurada) permanece sem uma explicação definitiva. Questões como as fases precisas de sua construção ao longo dos anos ainda são debatidas, segundo Magli (2016).

Quanto à datação, algumas evidências ajudam a esclarecer o período de construção de certos complexos dentro de Baalbek. Por exemplo, Magli (2016) menciona um grafite deixado por um dos pedreiros no topo de um dos fustes das colunas do Templo de Júpiter, datado de 2 de agosto de 60 d.C.

Esse período situa-se dentro da Dinastia Júlio-Claudiana (27 a.C. – 68 d.C.), quando os imperadores Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero governavam o Império Romano.

Entre todos os templos, o de Baco é o que se encontra em melhor estado de conservação e é considerado um dos templos romanos mais bem preservados do mundo.

Já o Templo de Vênus, também conhecido como Templo Redondo, é o menor dos três. Ele está localizado a sudeste da Acrópole e apresenta uma arquitetura refinada e elegante, com planos distintos e uma cela circular.

Baalbek atualmente

Atualmente, Baalbek é uma das atrações turísticas mais requisitadas do Líbano, quiçá do Oriente Médio. O local recebe visitantes de todo o mundo e também serve como palco para eventos culturais, como o Baalbeck International Festival, que promove diversas apresentações musicais e artísticas.

Apesar das guerras e dos fatores ambientais, como terremotos e erosão, Baalbek continua sendo um dos marcos arqueológicos mais importantes do Líbano e de todo o Oriente Médio.

fotos: International Festival of Baalbek / Lebanonuntravelled
fontes:
ALOUF, Michel M. The History of Baalbek. 7º ed. Beirute: Imprimerie des Belles-Lettres, 1905.
MAGLI, Giulio. Archaeoastronomy and the chronology of the Temple of Jupiter at Baalbek. Artigo disponível em: [1606.05888] Archaeoastronomy and the chronology of the Temple of Jupiter at Baalbek
The Protection of The World Cultural and Natural Heritage, 1984. Documentação disponível em: https://whc.unesco.org/en/list/294/
Historiador e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

2 Comments

  1. Parabéns pela excelente pesquisa.

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  2. Excelente artigo, parabéns!

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