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UMM KULTHUM E FAIRUZ


Umm Kulthum não era deste mundo.

Fairuz não é deste mundo.

Outros cantores da região do Oriente Médio podem ser gênios, mas são deste planeta.

Umm Kulthum, cantora egípcia, nascida em 31 de dezembro de 1898 ou em 4 de maio de 1904 (dependendo das fontes), paralisava o Egito e todo o mundo árabe com sua voz inacreditável. Seus concertos podiam durar mais de cinco horas. Suas canções eram nacionalistas, mas também pan-arabistas. Diz-se que o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser aproveitava a popularidade da cantora para se aproximar das massas — ou talvez tenha havido um interesse mútuo, já que Nasser era extremamente carismático. No dia da morte da diva, 3 de fevereiro de 1975, mais de 4 milhões de pessoas tomaram as ruas do Cairo para se despedirem dela.

Fairuz, cujo verdadeiro nome é Nouhad Haddad, nasceu em 21 de dezembro de 1934, foi, é e será a cantora mais importante da história do Líbano. Fairouz canta sua terra e sofre por ela, mas também canta o amor e a amizade. É mais conhecida no Ocidente do que a diva egípcia e se apresentou em mais países ocidentais. Diz-se que os irmãos Rahbani, Assi e Mansour, ficaram maravilhados com seu talento quando a conheceram ainda menina. Posteriormente, Assi se casou com ela, e dessa união nasceram quatro filhos: Ziad, Hali, Layal e Rima.

Layal faleceu ainda jovem, Hani é portador de deficiência, Ziad, o mais conhecido (e o mais velho), era um gênio — faleceu no último dia 26 de julho —, mas nunca precisou “se apoiar” na fama da mãe: tinha luz própria e revolucionou a música e o teatro no Líbano. Rima é a mais nova e trabalha como cineasta.

Que cuidem bem da diva Fairuz, e que ela viva com saúde por muitos anos, por ela mesma, por sua família e pelo próprio Líbano, já que provavelmente ela seja a única figura capaz de unir o país inteiro.

As duas se conheceram pessoalmente.

Dizem que a pior coisa que se pode fazer com um taxista do mundo árabe é pedir que escolha entre Umm Kulthum e Fairuz. Alguns escolherão uma, outros, a outra.

Eu não sou taxista e moro no Uruguai, mas se me perguntarem, direi Fairuz. Mas reconheço: não sou imparcial. Então, deixo que meu lado objetivo responda com o que se costuma dizer popularmente na região: “Fairuz pela manhã e Umm Kulthum à tarde.”

Muitos que têm vínculo com a região do Oriente Médio sabem muito mais sobre essas duas gigantes do que eu.

Estas linhas talvez sirvam a eles de algo — mas são dirigidas, sobretudo, a quem não conhece a região e tem algum interesse pelo tema.

Doutor em Direito e Ciências Sociais pela Universidade da República Oriental do Uruguai, com Mestrado em Direito Empresarial e Diploma em Direito Anglo-Saxão, ambos pela Universidade de Montevidéu. Oficial de Ligação no Uruguai do Centro de Pesquisa sobre Emigração Libanesa (LERC) da Universidade Notre Dame de Louaizé, Líbano (NDU), e membro do Centro Cultural Uruguaio-Libanês. É correspondente da Academia Líbano-Brasileira no Uruguai,

1 Comment

  1. Tema muito bem narrado.

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